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Miss Encrenca

Não sei onde estou indo, mas sei que estou em meu caminho...


4 de janeiro, 2005

Texto insano

Meus olhos ainda maquiados
negros, borrados
meus cabelos embaraçados
minha cara de bêbada
minha roupa mal-comportada
toda a minha descompostura
assina minha culpa
minha máxima culpa
eu quis, eu desejei
eu busquei, e errei
eu sei.


PS: Sei lá de onde veio esse texto, só sei que saiu da minha cabeça, escrevi ontem e guardei. Hoje resolvi colocar mais pra fora ainda. Pronto, texto? Satisfeito agora? Eu hein, eles são tão temperamentais...

27 de dezembro, 2004

Me esqueça sim, mas nunca esqueça o meu amor

A vida é louca! Completamente desequilibrada. Anteontem eu o vi. Depois de anos, uns cinco anos, depois de sonhar tanto com o momento de vê-lo, depois de esperar tanto que até havia esquecido dele, do furor que ele me causa, eu o vi. E eu tremi muito mais do que eu esperava. Tudo começou assim...

Eu era criança, ele também. No interior onde meus avós moram, eu sempre ia passar férias, e ele mora lá. Três anos mais novo que eu, ele era um bebê quando eu era criança. Aos meus doze anos ele tinha nove, e queria namorar comigo, e gritava isso pra todos os lados. Eu, claro, morria de raiva, como toda menina em minha idade. Seis anos sem ir lá. Aos dezoito fui, e dei de cara com ele. Aos quinze anos. Creiam-me, um homem.

Sim, um homem lindo, encantador. Quando olhei nos olhos dele gelei, me apaixonei, na hora. Não parei mais de pensar nele, e em um modo de falar com ele. Desde esse momento nós dois não parávamos de procurar um meio de nos olharmos, de estarmos juntos, de conversarmos. Sabe quando parece um ímã? E você não quer fazer mais nada além de estar perto de alguém? Foi assim. Ímã. Claro, ficamos juntos. E lembramos da infância, e foi como se namorássemos desde crianças, e como se fosse para todo o sempre. Desenhamos coraçõezinhos no chão com nossos nomes dentro. Antes do previsto meus pais decidiram ir embora, apenas dois dias depois de termos nos visto. Nem tive tempo de avisar pra ele, era manhã cedinho... Fui embora, e quando chorava já em casa ele ligou, e desde então passamos a nos falar quase todos os dias, depois com mais dias de intervalo, depois mais dias... e eu passei mais um bom tempo sem ir lá.

Dois anos depois fui, e ele estava namorando. Mas o ímã ainda era poderoso. Não conseguíamos parar de procurar um pelo outro, mas ele estava comprometido. Deu mil indiretas, tentou de mil maneiras. Mas eu não podia, apesar de querer mais do que respirar, ficar com ele. Fui embora na certeza de que nossa história não havia acabado. Cinco anos sem vê-lo novamente. Sonhei tanto com ele, muito. Até que esqueci que ele existia.

Natal de 2004, viagem à casa dos meus avós. Velhinhos, não se sabe quando irei vê-los novamente, então, Natal com eles. Pensei "vou ver Anderson", fiquei ansiosa. No primeiro dia nada. Não o vi. No segundo, logo de manhã, eu saio na porta, vejo o irmão dele. Trocamos algumas palavras, e quando eu nem imaginava ele chegou, em cima de uma moto, de óculos escuros, lindo, lindo, lindo... Ele é lindo demais.

- Bonjour, moça.

Nunca vou esquecer aquela saudação, e nem o jeito que ele me olhou, surpreso, feliz, nervoso.

- Bonjour!, respondi.

Eu tremia, não lembro mais do que falamos, ficamos conversando por alguns minutos, o tempo parou ali. Acho que perguntou como iam as coisas, a minha família, devo ter feito as mesmas perguntas a ele, não podia pensar em nada. Ele estava lindo, um homem de tirar o fôlego. O fato dele ser uma mistura de Tiago Lacerda com o português da novela nem importava tanto, ele era o meu amor desde sempre. E isso a gente não esquece nunca.

Desde então eu não me compreendi mais, não pensei em outra coisa durante os três dias em que fiquei lá. Só no outro dia pela manhã o vi de novo, ele está noivo, daquela mesma namorada... Conversamos, eu senti, e ele também, que ainda existia e existe um forte sentimento entre nós. Senti que estava ressentido, por ter passado tanto tempo sem ir lá. "O trabalho não deixou", tentei me explicar, e ele não insistiu. O fato é que a vida da gente é louca, e nos faz pensar naquilo que nos rodeia. Por mais que memórias sejam insistentes, e rondem nossas mentes, a vida real, a rotina, o dia-a-dia engole tudo, e nos faz esquecer. Mas quando nos vimos de novo, foi mágico...

Mais uma vez não pude me despedir dele, não o vi na manhã em que viajei, cedinho... Mas ele me prometeu que quando vier a Salvador irá me ligar. Não sei, ele está noivo. Sem pressa nenhuma de casar, como ele mesmo me disse. Era intenso o jeito que me olhava, de longe, e o jeito que eu respondia o olhar dele. Inúmeras pessoas entre nós. Era como se fossem todas transparentes. Inexistentes. Há uma história, há memórias, há um sentimento que não posso chamar de outro jeito, senão Forte... Não sei quando o verei de novo. Certamente vou esquecer mais uma vez como é o rosto dele exatamente, como aconteceu todas as vezes. Mas não deixo nunca de lembrar que ele foi, e agora sei que ainda é, alguém que me faz sonhar, alguém que me faz tremer como ninguém, alguém que tira qualquer pensamento da minha cabeça e toma todos os meus pensamentos só pra ele quando ele está por perto. Se isso não for amor o que será? O que é isso? E o que é o amor?

A vida é louca. Cá estou eu falando desse jeito de alguém, com quem estive junto durante dois dias, há sete anos atrás. A vida é louca...

20 de dezembro, 2004

Quem me explica o amor?

Quem me explica por que ou como, sem nenhuma necessidade física ou fisiológica, uma pessoa depende da outra, tão inegavelmente, tão indiscutivelmente, e sem fuga. O amor é assim. Liga duas ou mais pessoas, num laço tão forte, um nó cego...

Eu gostaria de dissertar sobre isso. Eu vou. Mas antes gostaria de saber a opinião de vocês.

Quem me explica o amor?

19 de dezembro, 2004

Ok, ok!

Domingo em casa. Por que os domingos são assim? Não há barulho no domingo! O que mais me chateia é isso, é aquele silêncio que assusta, uma falta de movimento... E uma falta de carro, a galera (meus pais) me roubou a Pulga hoje (Pulga = meu carro).

Então, quais são as melhores coisas pra se fazer num domingo de tarde em casa?

1. Ler;
2. Comer;
3. Dormir;
4. Fazer as unhas;
5. Ouvir música;
6. Ver filme;
7. Não adianta dizer namorar, não tenho namorado;

E então? Sugestões? Tô aceitando.

14 de dezembro, 2004

Bronca (em mim)

O fato é: até meus leitores abandonaram este blog! Claro, a culpa não poderia ser deles. José Régio é ótimo, mas quem viria ler isso aqui todos os dias? O mesmo texto? Vê se te manca, ô encrencada. Ainda tem mais. Isto já estava abandonado há muito tempo. Tome vergonha e volte a escrever aqui. E tenho dito!

11 de dezembro, 2004

Post Flash

Hoje eu estou a fim. E é só isso, ponto final!! hahahaha

29 de novembro, 2004

Cântico Negro

José Régio

""Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"


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